12 de março de 2011

SEREMOS NÓS, HUMANOS, OS DETENTORES EXCLUSIVOS DOS COMPORTAMENTOS QUE EXPRIMEM SENTIMENTOS??


Antropomorfismo: Estaremos Apenas a Inventar?
O antropomorfismo consiste em atribuirmos características humanas aos animais e aos objectos inanimados. Será isto que estamos a fazer, quando sentimos que os animais estão a exprimir tristeza, raiva ou alegria? Estamos apenas a projectar emoções humanas sobre eles? É uma objecção válida. Os humanos possuem uma história de solipsismo, de verem a raiva num vento quente e malícia nos ataques dos tubarões. Nós temos uma forma de fazer com que tudo seja sobre nós.
Neste caso, porém, cometemos mais frequentemente o erro oposto: preferimos ignorar aquilo que está mesmo perante os nossos olhos e subestimar, de modo consistente, aquilo que os animais sabem, fazem, pensam e sentem. Consideremos, por exemplo, ser de facto útil os humanos gostarem de umas coisas e não gostarem de outras; isso ajuda-nos a fazer opções com sucesso e a movimentarmo-nos pelo mundo e os animais têm o mesmo tipo de bússola emocional. Além disso, os sentimentos dos animais não são privados, ocultos, ou secretos. As vidas emocionais dos animais são bastante públicas. Os animais exibem exactamente a forma como sentem acerca do que lhes está a acontecer. Em vez de reconhecerem isto tal como é, os cientistas, em especial, defenderam que nós não podemos “saber” aquilo que os animais pensam e sentem.  Contudo, hoje em dia, isto não é simplesmente uma interpretação conservadora dos dados científicos, é uma desculpa para manter o status quo e fomentar a ideia da superioridade humana. Historicamente, os humanos distinguiram-se como superiores aos outros animais em grande parte baseando-se numa qualidade especial dos nossos sentimentos e pensamentos. No entanto, negar as emoções animais é, hoje em dia, ir contra uma montanha crescente de pesquisa científica sólida, desafiadora e empolgante – a qual vai surgindo quase todos os dias.
Por exemplo, os mamíferos partilham as mesmas estruturas cerebrais que são importantes no processo de emoções; isto só por si sugere que sirvam uma função idêntica. É interessante que, à medida que recuperamos animais que experimentaram traumas em jardins zoológicos, ou devido a transgressões ao habitat, estamos a descobrir que muitos tratamentos psicológicos para humanos também podem resultar com os animais, precisamente causa das nossas estruturas neuronais partilhadas. Num artigo de 2008 no New York Times, James Vlahos escreveu acerca dos “animais de estimação viciados em comprimidos“(1).Observou que damos os mesmos comprimidos aos animais que damos a nós mesmos, para aliviar as suas perturbações psicológicas e traumas, como o abuso, a agressão, a ansiedade da separação, a depressão e o distúrbio obsessivo-compulsivo. Vlahos pergunta:” Se a estrita perspectiva cartesiana mecanicista é verdadeira – que os animais são essencialmente autómatos de carne e osso, sem nada que se pareça com emoções, memória e consciências humanas -, então por que razão os animais desenvolveram doenças mentais que se parecem arrepiantemente com as humanas e que reagem às mesmas medicações? O que poderá a farmacologia comportamental ensinar-nos acerca das mentes dos animais e, em última análise, acerca das nossas?”
 As aves estão rapidamente a ser reconhecidas como semelhantes aos mamíferos em termos de capacidade cognitiva(2). As gralhas têm sentido do eu e algumas aves planeiam as refeições futuras. A coruja-buraqueira atrai a sua refeição preferida de escaraelhos colocando excrementos de mamíferos em volta dos seus buracos e os corvos da nova Caledónia são melhores do que os chimpanzés a fazer e a utilizar ferramentas (ver vídeo no final do texto). Sabemos que todas as aves possuem uma versão semelhante daquilo a que se chama o gene da linguagem, o FOXP2. No caso do mandarim, a sua proteína é 98% idêntica à nossa diferindo em apenas oito aminoácidos. Constance Scharff, do instituto Max Planck de Genética Molecular, em Berlim, na Alemanha, descobriu que os níveis das expressões de FOXP2 são mais altos durante a fase infantil, quando a maioria da sua aprendizagem canora ocorre. Nos canários, aves que aprendem a cantar durante toda a sua vida, os níveis desta proteína aumentam anualmente e atingem o seu pico durante os últimos meses de Verão, quando refazem as suas canções. 
Estamos treinados para pensar que as nossas impressões pessoais são demasiadas subjectivas e que, portanto, não devem estar certas, mas, quando se trata de emoções animais, este pressuposto está errado. A pesquisa exaustiva da etóloga Françoise Wemelsfelder e dos seus colegas mostrou que mesmo as pessoas normais (ao contrário de cientistas treinados) executam uma tarefa consistentemente exacta, quando se trata de identificar emoções animais. A investigadora Audrey Schwartz Rivers, que dirige programas assistidos por animais para jovens em risco, concorda com Wemelsfelder e outros investigadores chegaram à mesma conclusão – quer as pessoas observem lobos, cães, ou gatos distinguem emoções quase tão bem como investigadores experimentados. Tal significa que as emoções animais não estão de facto bem escondidas e que os humanos têm uma capacidade natural para distinguir emoções nas outras espécies.
Os animais não são seres emocionais porque nós queremos que eles sejam, mas porque têm de ser para a sua própria sobrevivência – tal como nós. E o que é mais interessante é que as nossas intuições estão a ser fortemente apoiadas pela pesquisa científica – a ciência está finalmente a acompanhar aquilo que nós sentimos.



(1)James Vlahos, “Pill-Popping pets”, New York Times Magazine, 13 de julho de 2008 
(2)  Virginia Morell, “Minds of Their Own” National Geografic, Março de 2008

(in Manifesto dos Animais, Marc Bekoff, 2010)  

O seu cão tem problemas de agressividade?


O primeiro passo para lidar com o problema de agressividade do seu cão é verificar se ele o tem. Isto pode ser complicado porque, para algumas pessoas, certa dose de agressividade é considerada aceitável e mesmo desejável nos cães. De facto, é provável que um importante motivo para os cães terem sido domesticados, tenha sido a sua capacidade instintiva para avisar os seus donos da existência de intrusos e para afugentá-los. As qualidades de guarda dos cães sempre foram muito apreciadas.
Se chegar à conclusão que o seu cão tem um problema de agressividade, não se trata de saber qual é o grau de agressividade normal ou natural para um cão, mas que grau é aceitável para a sociedade humana onde os cães vivem. Na maioria dos casos, as únicas provocações legalmente e socialmente aceitáveis para morder, que ilibam um dono de responsabilidades são a entrada ilegal de intruso(s) na propriedade do dono do cão, um ataque ao dono ou dar pontapés, atiçar ou atormentar, de algum outro modo, o cão. Embora possa ser natural para um cão querer afastar todos os estranhos, que entrarem no seu território ou defender-se do homem de bata branca que o ataca com agulhas e termómetros, tais comportamentos podem causar problemas nas relações entre cães e seres humanos.
Segue-se uma lista de sinais que indicam que o seu cão poderá ter um problema de agressividade. Se a sua resposta a qualquer destas questões for sim, deve procurar ajuda especializada.
1. O seu cão já atacou ou mordeu alguém excepto nas circunstâncias referidas acima?
2. O seu cão já lhe rosnou ou deu dentadas quando tentava discipliná-lo?
3. O seu cão já lhe rosnou ou mordeu quando tentava tirar-lhe alguma coisa?
4. Evita tocar no seu cão de determinadas formas porque receia irritá-lo?
5. O seu cão morde-o quando tenta escová-lo?
6. Já algum tosquiador/cabeleireiro se queixou de que tinha dificuldade em lidar com o seu cão?
7. O seu cão já tentou morder o veterinário?
8. O seu cão ladra histericamente quando alguém vem a sua casa ou quando alguém passa nas imediações? Consegue facilmente fazer o cão parar de ladrar nestas situações?
9. O seu cão rosna às pessoas depois de elas terem entrado na sua casa, continua a ladrar ou encolhe-se e afasta-se delas?
10. O seu cão encolhe-se e afasta-se dos estranhos que tentam tocar-lhe?
11. Não confia no seu cão perto de estranhos?
12. Dá consigo a arranjar desculpas para o comportamento hostil do seu cão?
13. O seu cão tem menos de seis meses de idade e já se mostra hostil para com os estranhos?

Alguns dos sinais são mais difíceis de verificar do que outros, mas sejam eles quais forem, é sempre possível arranjar desculpas que só irão adiar e agravar a situação

NÃO NEGUE UM PROBLEMA DE AGRESSIVIDADE, RESOLVA-O! 


(Fonte: Making Friends – Training Your Dog Positively, Linda Colflesh, 1990, 2004, Howell Books House)