" A justiça pressupõe uma preocupação pessoal pelos outros. É antes de mais um sentido, não uma construção racional ou social, e quero argumentar que, este sentido é, num sentido importante, natural."
Robert Solomon, Uma Paixão pela justiça (A passion for justice: Emotion and the Origens of the Social Contract, Lanham, MD: Rowman & Littlefield Publishers, Inc. 1995: 102.
É um “especismo” antropocêntrico egoísta afirmar que somos os únicos seres morais no reino animal. A moralidade social, demonstrada durante o jogo, é uma adaptação partilhada por muitos animais. O comportamento de justo evoluiu porque ajudou os animais jovens a adquirir competências sociais (e outras) enquanto amadureciam para se tornar adultos. Ser correcto também é importante para manter grupos cooperantes bem lubrificados e eficientes. Pode mesmo haver cooperação entre diferentes espécies durante caçadas em grupo. Se encontrarmos consistência entre espécies em termos de como cooperam e negoceiam os acordos de rectidão, podemos descobrir uma moralidade universal. Essa moralidade também pode ser importante na aquisição, defesa e partilha de alimentos, no acto social de catar e no cuidado comunitário dos filhotes.
Em The Origens of Virtue (As origens da Virtude), Mark Ridley salienta que os seres humanos parecem ficar estranhamente perturbados com a injustiça. Contudo, não sabemos muito sobre como os outros animais reagem à injustiça. Todavia, estamos a descobrir algumas boas pistas para os estudos a partir da observação dos animais a brincar e poderemos em breve incluir um sentido de justiça como traço partilhado. E o perdão? Este é outro traço moral que é frequentemente atribuído apenas aos seres humanos, mas o biólogo evolucionista de renome David Sloan Wilson demonstra que o perdão á uma adaptação biológica complexa. No seu livro Darwin’s Cathedral: Evolution, Religion, and the nature of Society (A Catedral de Darwin : Evolução, Religião e a natureza da Sociedade) Wilson afirma: “ O perdão tem um fundamento biológico que se estende a todo o reino animal.” (David Sloan Wilson, Darwin’s Cathedral: Evolution, Religion,and the nature of Society, Chicago: University of Chicago Press, 2002): 195, 212. E ainda:”O perdão tem muitas faces – e precisa de ter – para funcionar adaptativamente em muitos contextos diferentes. (ênfase de Wilson)”. Apesar de Wilson se concentrar principalmente nas sociedades humanas, as suas perspectivas podem ser alargadas - e com responsabilidade – aos animais não humanos. Na verdade, Wilson salienta que traços de adaptação como o perdão podem não requerer tanta capacidade cerebral como se pensava. Isto não significa que os animais não sejam espertos, mas sim que o perdão pode ser um traço básico em muitos animais, mesmo que não tenham cérebros especialmente grandes e complexos.
É evidente que a moralidade e a virtude não apareceram de repente no início evolutivamente épico começando pelos seres humanos. As origens da virtude, do igualitarismo e da moralidade são mais antigos do que a nossa própria espécie. Apesar de o jogo limpo ser uma forma rudimentar de moralidade social, pode mesmo assim ser um precursor de sistemas morais humanos mais complexos e mais sofisticados. Mas talvez o mais importante, ao tentarmos aprender sobre o perdão, a justiça, a confiança e a cooperação entre os animais, talvez seja que também vamos aprender a viver com mais compaixão e cooperação com os outros.(In Mark Bekoff, “A Vida Emocional dos Animais”, 2008)

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